terça-feira, 5 de julho de 2011

ALÉM DA IGREJA







Havia em Jerusalém uma das maiores maravilhas do mundo. Um templo. Um lugar
de Adoração ao Deus vivo. Uma Igreja. Um paraíso no deserto. Uma luz na escuridão.
Um palácio para habitação de um rei. A morada do altíssimo. Sim, havia uma igreja,
havia um templo. O templo de Salomão. E acreditem, não era qualquer igreja. Era uma
grande obra.

Quantas igrejas temos construído hoje, quantas paredes temos levantado. Mas eu
me pergunto. Porque?

Outrora havia uma casa, um lugar que Deus habitava.
Mas onde? Cadê a casa do grande Deus vivo? Onde está a que seria chamada de
uma das maravilhas do mundo?

Essa grande Igreja, construída por Salomão e reconstruída no seu esplendor por
seus sucessores já não está mais lá, fora destruída. Somente algo bem insignificante ficou,
um simples muro de frias pedras. Da excelência somente restou a insignificância, do
esplendor as trevas, da glória a vergonha. Da grande igreja de Jerusalém somente restou
o muro das lamentações.

Se a grande igreja de Deus fora destruída, porque ainda estamos tentando
levantar as pedras. Afinal todas sabem que uma folha seca não cai da árvore se não for
da vontade de Deus. Mas então porque? Se a magnificência da igreja fora destruída com
a permissão de Deus, porque ainda hoje vemos em todas as esquinas novas igrejas sendo
levantadas, buscando ao menos chegar à altura e profundidade do muro que restara da
igreja de Jerusalém.

PORQUE AINDA HOJE ESTAMOS LEVANTANDO O QUE DEUS
DERRUBOU NO PASSADO?
Será que não conseguimos viver com a idéia. Será que estamos lutando com ele a
dois mil anos. Somos tão miseráveis assim, a ponto de levantarmos um altar somente
para que seja cumprida a nossa vontade.

Hoje sei. Ele simplesmente não mais queria ser adorado naquele lugar.
Deu disse: BASTA!!!

E simplesmente, a grande igreja de Salomão já não era mais.
Se Deus derrubou aquelas paredes de Jerusalém é porque Ele tinha algo muito
maior que elas. Nosso Deus é o senhor da Excelência. E se assim é não haveria razão
para que as ruínas fossem em vão.

A grande igreja de Salomão veio ao chão, porque não se agüentava mais a frieza
daquelas paredes. Ele queria um lugar mais quente. Um lugar que houvesse algo que
ficasse aquecido o dia todo.
Por isso ele destruiu a grande igreja de Jerusalém, para morar no pequeno recanto
do nosso coração.

Eis uma verdade que parece esquecida: Deus não habita mais em templos feitos
por mão.
Se Deus nos chamou para sermos livre, porque não ainda somos escravos da fria
religiosidade? O meu grande medo são os escravos dos templos. Fantoches que passam a
vida nas cadeiras das igrejas ou nos altares da cerimônia.

Quantas músicas mais precisamos para conseguir chegar à sala do trono? Mas
quantos sermões precisamos escutar para passarmos a vivê-los?
Quem me dera houvesse tantos profetas quanto existem loucos.
Oh Senhor! Rasga o céu e desce.

Estou cansado de te oferecer tão pouco. Quebraste ó Deus os muros da minha
grande Jerusalém. Despedaçastes as veias da minha normalidade.

....

Jesus, eu nasci para te amar. Se tentarem me afastar de ti, não os deixem. Se
programarem como eu devo declarar o meu amor por ti, me faça mudo. Se me fizerem
escravo da passividade me retire do mundo. Se gritarem o que devo gritar, me faça surdo.
Mas Deus, não me deixe voltar atrás. Estabeleça em mim oh grande rei, o seu
tabernáculo E no recôndito do meu pequeno coração, encontre sua habitação.
Meu amado Jesus, quero viver tudo o que disseste que a fé é capaz de alcançar.
Ensina-me segundo o Seu coração. E eu te obedecerei.
Em Nome de Jesus. Amém.
(André .Alvizi – 2007)
...
O CHAMADO PARA ALÉM DA IGREJA

Esse artigo é um chamado para a intimidade com Deus, para o distanciamento da
religiosidade fria e passiva, sem entendimento e conhecimento da graça, poder e realidade
de Jesus.
Hoje, a igreja é fundamental e está em erro absoluto todos os que não a
freqüentam. Mas, além disso, há uma verdade maior, um Deus absoluto a quem não
devemos simplesmente ouvir sentados.

Essa realidade espiritual que somos chamados nos faz entender quando e onde
devemos seguir. É o caminho da porta estreita que somente o conhecimento do Senhor
pode nos levar. É muito fácil falsos líderes conduzirem uma multidão ao erro. Se
inventarem uma ideologia barata logo deterão muitos seguidores. Somos em geral
consumidores de todo tipo de oferta.

Essa é uma verdade de fato. É só lembrarmos da tragédia do nazismo, de como
toda uma nação fui induzida a um erro básico para um pecado que qualquer criança já
distingue. O país da revolução espiritual de Lutero estava agora violando o sagrado
mandamento: Não matarás.

Por isso, convém estarmos atentos para a grande salvação, não deixando-nos levar
por qualquer vento de doutrina e nem a uma adoração mecanizada, frívola e indiferente.
Assim, que sejamos, além de membros de uma igreja, participantes do vivo do Reino de
Deus.
Que Deus te abençoe.
Carinhosamente,
André Alvizi
Ministério Seara Ardente, 05 de outubro de 2009.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Poema P’ra um Poetisa.





Uma mulher de pé,
 Em cima do muro,
Pensativa,
Construindo uma realidade
Para melhor agregar seus pensamentos.

Nega o mundo, nega a utopia.
Pés descalços, lábios de primavera,
Asas abertas para melhor alcançar
O horizonte, mas ela foge,
Por quê?

Adjunto do muro esta um rapaz
Que sintetiza aquela mulher.
Tenta desesperadamente
Fazer com que a mulher
Lhe diga o que verdadeiramente
Pensa.

Mas o rapaz encontra-se em
Silencio; inerte.
Um observador com olhar
Ausente.

No coração do rapaz
Há uma voz
Que pede perdão,
Por não compreender
O universo quântico
Que vive a jovem mulher.

Cada gesto minucioso,
Cada palavra imposta
Daquela mulher,
Faz o rapaz
Adormecer em sonho.

Pensamento desvairado.

A mulher diz adeus
Correndo para o
Silencio.

O jovem retira-se
Para a manhã
Já vivida.

(D’arte) 




segunda-feira, 27 de junho de 2011

O navio do deserto




Com freqüência eu era transportado pelo navio do deserto – sem fardo algum-, para além dos portões da cidade santa, necessitava de alivio e paz, e simplesmente, como qualquer pessoa, considero a movimentação dos peixes, das ovelhas e principalmente de Damasco inapropriada para a consumação desse desejo.
Então percorri a margem dos poços de Salomão, abriguei-me debaixo de uma romeira e dessa benção que D’us prometeu a Moises tomei do seu fruto santo.
Devido ao calor, desfiz a dobra diagonal que me cercava a cabeça, e para que não houvesse mais queixas do furor bravio do sol, troquei o couro de hiena - que me efervescia os pés-, por enregeladas sandálias romanas.
E perto do meu telúrico céu via-se judeus cantando e gritando enquanto pisavam alegres no lagar – era o inicio do ano-. Com ternura as uvas eram laceradas pelos pés descalços, isso para que o alvo de sua moléstia escorresse até atingir o tanque menor, e ali ficaria por um longo período.
Diminuindo a euforia hebréia, os olhos escolheram cena mais mansa, e assim fizeram. Sobre um amontoado de pedras – me parecia o inicio de uma casa sem futuro promissor- descansava com extrema fadiga, um cabrito montês, que sem insistência alguma entregou se ao sono, e num gesto de inveja da mesma forma meus olhos procederam.
No mover do tempo o demônio do meio-dia revela-se. A maciez dos pensamentos escorria para um abismo vazio. O rosto que outrora ostentava harmonia e extrema satisfação pelas obras do Divino Artífice agora se afoga na triste monotonia. Temeroso com o avançar do tédio, regressei à minha alcova e voltei à atenção para o que tanto me apraz, no intuito de amainar o espírito subir a escada dos sonhos.


Ame-o ou Deixe-o




Deus Lhe Pague
Composição: Chico Buarque
Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague
Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague
Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague
Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague.



Análize Parte I
No Regime era preciso demonstrar que aqueles que não compartilhavam dos ideais da revolução representavam uma ameaça, um tumor a ser extirpado do seio da sociedade, enviados para o mais longe possível. Assim nasceu o slogan “Brasil: ame-o ou deixe-o”. O Brasil a ser amado ou abandonado não era a pátria mãe idolatrada, mas o Estado construído sobre os alicerces da ditadura, restando aos opositores a alternativa de deixa-lo, afastar-se dele, se não se submetessem à ideologia dominante.
Chico Buarque não deixou escapar a oportunidade de compor “Deus lhe pague” para evidenciar o abuso existente dessa visão.
O absurdo que procura evidenciar encontramos nos versos:
“A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
(...)
Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair

(...)
Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
(...)
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi”
Onde seu sorriso, o ar que respira, a sua existência, o seu choro, a confraternização com os amigos em um bar, a diversão representada pelo futebol e pelo samba, as belezas naturais e femininas, o descanso semanal, são apresentados como bens patrocinados pelo governo, quando, na verdade, restringem-se a ocorrências de ordem natural, ou de origem popular, presentes em qualquer que seja o regime político.
Destaco a referência ao controle do Estado sobre o indivíduo, através do uso dos vocábulos “concessão” e “deixar”, que transmitem a ideia da necessidade da autorização oficial para tidas as ações.
Os presentes versos apresentam o conflito de ideias antagônicas, apresentando obrigações e infortúnios como benefícios concedidos pelo governo. No Primeiro caso, utiliza o trecho “A certidão pra nascer”, pois o registro de nascimento é uma obrigação dos pais e condição de reconhecimento da existência do cidadão. A ideia de infortúnio encontramos em “Prazer de chorar”, pois o choro longe de representar satisfação, simboliza sofrimento, e em “Um crime pra comentar”, já que a ocorrência de crimes é a mais forte expressão das mazelas sociais.
Nesta época, os militares da esquerda que se insurgiram contra os militares viveram clandestinamente em seu próprio país, sendo procurados como criminosos por lutarem por seus ideais, em oposição a classe dominante. Esta situação fica evidente no trecho “O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir”, que nos remete a uma condição de constante mobilidade, para dificultar sua localização e possível captura.

Continua...

domingo, 26 de junho de 2011

Não Demores!!!

Assembleia de D'us Santana-AP


Iahwerh...
Meu D'us, não demores mais!!!
Pois logo chegará o dia que dirão
- Existe um justo na casa do SENHOR?

Sei o quão maravilhoso Tu és e como tens derramado a sua misericórdia...
Peço-te, reconduz a Tua casa telúrica ao perdão,
Tens piedade de mim.

Inebria - assim como o seio materno faz com a criança-
a Tua casa. Derrama da Tua Chuva no pequenino coração humano,
Fazendo assim florescer bons frutos.
Alicerces na areia, pedras no coração...
...extraviaram pensamentos.
Mas a Sabedoria do Senhor glorificará sua casa, e ela Amar-te-á,
como seu Divino Edificador

Ronan D'arte

O NINHO DE VESPAS

Macapá 01 de outubro de 2010


O NINHO DE VESPAS






Sentado na calçada - lugar onde os sentimentos morrem no corredor escuro do horizonte-, com os cotovelos enterrados nas pernas, as mãos servindo de apoio para o queixo, ele observa a aproximação simultânea de cúmulos e cirros invadindo e quebrando sua alegria. Agora a mente ocupada com pedacinhos negros de destruição – de si mesmo- via o futuro planejado sendo desagradavelmente arrancado da parede dos seus sonhos.


Aumentava o cobertor que enfraquecia a sua felicidade e num turbilhão violento de tristeza chegava à tempestade – que lhe secava a boca de modo bem diferente. Não enxergava, apenas sentia – talvez seja bem pior. A nuvem difusa pairava na sua mente, lhe trazia pensamentos apagados, distantes. Como o raio que fere a madrugada, mergulhou imponente nos pensamentos e algo aconteceu.


Para uma criança de nove anos, a realidade gera cicatrizes terrificas. Incompreensíveis. Consciente que a tristeza do passado ainda fere o coração, por um minuto ele não vacilou, mas o medo do futuro explodiu dentro de si. As lagrimas o enterravam. Ele não sabia, mas a alameda da mágoa –que rangia dentro de si e o sufocava- é o seu playground, e porque não seu halloween.


Ronan D’arte



A resposta de um sentimento...


A resposta de um sentimento...





Foi profundissimamente angustiante e deprimente para toda a Judéia, e principalmente para nós amigos e apóstolos a anunciação dantesca da morte de Jesus.  Isso há algumas noites.

Para nós não é apenas uma tristeza enraizada na garganta, o que sentimos não se resume em solidão causada pela morte de um amigo, mestre. É mais profundo, como que se algo nos afetasse o âmago. É como que junto d’Ele nós tivéssemos morrido também.

Éramos um, ele, porém agora é parte de nós. Ele foi nosso desejo segredado de Verdade absoluto, a materialização ou encarnação dos nossos sonhos de poder tirar a coberta faraônica de nossos tapetes, nossas mesas, enfim tudo o que um Amante almeja para a pessoa por quem têm carinho. 


Ronan D'arte